quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

quarta-feira, janeiro 15, 2025 -

O boquete do fim do mundo

Final de ano e a televisão estava mostrando imagens de lugares famosos do mundo todo; o Taj Mahal, a Torre Eiffel, a Disneylândia. Em alguns minutos, pensei, esse ano vai acabar.

O Lu me puxou para mais perto e descansei a cabeça no ombro dele.

O âncora reapareceu na tela. “Nestes momentos finais”, ele disse em uma voz sonora, a imagem mudou para uma sucessão de cenas de multidão; em vários cantos, praias e cidades.

“Eles estão mostrando as pessoas e estamos juntos”, disse, me aconchegando mais contra ele.

Lu beijou o lado da minha cabeça. “Eu queria, no entanto, que tivéssemos pensado em algo especial”, ele disse, “algo simbólico. Eu meio que imaginei que ficaríamos transando lá fora e assistiríamos como se fosse um pôr do sol.”

“Está chovendo.” Retruquei.

“Eu sei, mas ainda assim, sinto que deveríamos ter feito algo”. Mas foda-se, como você disse, quando o fim chegar, estaremos juntos.”

“Eu gosto de pensar que mesmo quando o mundo acabar, o amor continua.”

O Lu riu.

“O que você poderia achar engraçado agora?” pergunto.

“Sinto muito”, ele disse, “foi só um pensamento engraçado.”

“O quê?”

“E se não fosse só o fim do ano, e sim o fim do mundo... Seria o fim do sexo anal, dos boquetes e de todas essas coisas boas.”

Me recostei e olhei para ele. “Isso é algo que poderíamos fazer.”

“Sexo anal?”

“Eu estava pensando em boquete. Sempre adorei chupar seu pau. Gosto da ideia de ser a última coisa que faço na Terra, se fosse o fim do mundo.”

“Isso parece bom para mim”, ele disse, olhando para o relógio de contagem regressiva na televisão. Faltavam pouco mais de dez minutos.

Me estiquei no sofá enquanto o Lu desabotoava as calças e as empurrava para baixo dos joelhos. Deu mais uma olhada na televisão e desligou. Ligou o rádio e colocou o Réquiem de Mozart para dar um tom mais realista de fim de mundo. Ele senta, me beija e fala que: “neste fim da Terra, morrerei feliz porque você é o meu mundo e tive o prazer de por anos ver as mais lindas paisagens do mundo todo”.

Luto contra uma lágrima e abaixo o rosto em direção ao colo do Lu. Seu pau estava apontando para cima. Beijo a ponta e então envolvo os lábios em volta da cabeça. Estava determinada que o último boquete dele “nesse fim de mundo” seria o melhor que ele já tivesse.

Ele agarrou um punhado do meu cabelo e empinou os quadris para cima enquanto eu colocava mais de seu pau na boca. Tento engolir, engasgo e tento novamente. Desta vez, consigo pegar tudo, sentindo-o bater contra o fundo da minha garganta. O Lu gemeu alto quando levanto a cabeça e solto seu pau com um estalo alto. Envolvo a mão em volta do eixo e o acaricio, enquanto girava a língua ao redor da borda.

Respiro fundo, na expectativa de engolir novamente, quando de repente, me distraio com um som alto e estrondoso. É isso, pensei, imaginando se tudo acabaria em um instante. Coloco os lábios de volta em seu pau, o barulho continuou e começou a soar familiar de alguma forma.

O olho fixamente, minha mão ainda segurando o seu pau, passou o ano velho e começou o novo e então falo: “Nós morremos ou nós vamos ficar bem?”

Ele colocou seus braços em volta de mim e me abaixava.

“Nós estamos vivos”, “Sobrevivemos ao fim do mundo”, brinco.

Mas quando me inclino e viro para trás para olhar para ele, sua expressão era de angústia. Ele olhou para seu pau ainda inchado, então de volta para mim.

“O mundo não vai terminar, mas e você vai?” ele perguntou.

Dou risada e digo: “claro que não, até eu ‘interceptar seu cometa’ e você me esporrar com uma ‘chuva de meteoros’”.